🔵 177: A paranóia que é boa de ter
E um aprendizado de 1887
Esse texto, de certa forma, é uma continuação do texto da última semana, chamado atenção esfarelada.
Quando eu começo os textos com uma história, vocês costumam gostar bastante (os feedbacks e comentários são incríveis), então deixa eu começar contando pra você uma história de 1887.
Sim, é uma história de 138 anos de idade… O trecho a seguir foi tirado do livro “Um Estudo em Vermelho”, o primeiro sobre Sherlock Holmes, escrito por Sir Arthur Conan Doyle:
“Eu considero que o cérebro de um homem é originalmente como um pequeno cômodo vazio, que temos de encher com os móveis que escolhemos.
Um tolo recolhe todo tipo de coisa que encontra, e o conhecimento que lhe poderia ser útil fica travado, ou, na melhor das hipóteses, misturado com muitas outras coisas, de modo que fica difícil de achar.
O competente, porém, é muito cuidadoso com relação ao que leva para seu cérebro/cômodo. Só guarda as ferramentas que possam ajudá-lo em seu trabalho e todas estão na mais perfeita ordem.
É um erro pensar que o quartinho tem paredes elásticas e pode se expandir até qualquer medida. Acredite que chega uma hora em que, para cada novo conhecimento, você esquece alguma coisa que sabia antes.
É da maior importância, portanto, não ter fatos inúteis expulsando os úteis.”
Hell yeah. Que trecho foda.
Parece que foi escrito ontem pra você, pra mim e pra todo mundo que tá nadando em conteúdo e se afogando sem clareza.
Esse é um texto sobre por que saber filtrar virou a habilidade mais importante que você pode ter hoje.
Mais que isso, é um texto pra defender a paranóia de filtrar muito o conteúdo que você consome. O uso da palavra “paranóia” aqui é intencional. Filtrar como se você estivesse defendendo sua casa. Essa é a paranóia.
A tese do texto de hoje, que vai ser mais curto, gira em torno dessa frase:
Saber é gratuito, mas entender tem custo — e o preço se chama “filtro”.
Quem dominar o botão de “saber o que ignorar” em épocas de open bar de conteúdo na internet é quem vai pensar melhor, decidir mais rápido e, naturalmente, vai avançar mais.
Pensa que existem 2 categorias principais de informações: as informações que são “estoque” e as informações que são “fluxo”: estoque são os princípios, frameworks, fundamentos; fluxo são manchetes, modinhas, opinião quente do dia.
Eu não tenho dados pra isso, mas eu apostaria que tem bastante gente tratando fluxo como se deveria tratar estoque. Sabe aquela turma que acumula opinião como se fosse verdade? Então…
É do estoque que nascem os rendimentos compostos da sua carreira: clareza, reputação, decisões melhores repetidas ao longo do tempo.
Fluxo te mantém atualizado. Estoque te mantém relevante.
O erro comum é confundir exposição com entendimento. É tipo aumentar o volume do rádio achando que a música melhora. Ruído amplificado continua sendo ruído.
Tô falando tudo isso, porque acredito cada vez mais, desde 2021, que o caminho vai ser subtrair pra enxergar melhor. Tem um conceito muito legal que se chama “via negativa”. Não sei se você já ouviu falar, mas, em resumo, é um conceito da Teologia que explica Deus focando em tudo que ele não é (ou seja, subtraindo).
Quer ver outra referência paralela bem legal disso?
Warren Buffet e seu falecido - e lendário - sócio Charlie Munger falam do círculo de competência: saber onde não competir é metade da sua lucidez. Subtrair vai te ajudar a focar mais.
Esse conceito se replica pra tanta coisa… Mas acho que não preciso trazer mais referências pra deixar clara essa conclusão:
Desenvolva seu bom gosto. Crie seu filtro. Isso é treinável e vai ser cada vez mais relevante, principalmente na era da Inteligência Artificial que ainda estamos só entrando.
Um bom filtro não é só sobre o que “entra no seu cômodo”, mas também pelo que é deliberadamente mantido fora.
Eu acredito que o the jobs, por exemplo, pode ser parte do seu filtro pra tudo relacionado a como ser melhor no trabalho (acredito tanto no the jobs que pedi demissão da empresa que sou sócio e que faturou R$ 100 milhões no último ano pra focar em expandir o que era “só uma newsletter”).
Inclusive, tomo a liberdade de fazer um jabá explícito aqui em poucos caracteres, já que estamos no final do texto:
Se você sente que está usando IA ainda de maneira superficial e sente que pode aprender como e onde aplicar IA à sua carreira com executivos incríveis, você vai amar conhecer isso aqui: em resumo, é uma trilha gratuita de Inteligência Artificial que começa no dia 4nov e termina no dia 13nov com uma aula ao vivo com o CEO do Rock in Rio.
Puxando o gancho desse texto: nós seremos um dos seus melhores filtros sobre tudo relacionado a IA. Não precisamos (nem deveríamos querer) ser os únicos, mas com certeza estaremos entre os mais úteis ;)
Muito obrigado por ler até aqui.
Espero que tenha sido útil.
Um abraço,
PS: quer saber de uma coincidência bem legal? A referência do Sherlock Holmes desse texto também fez parte da primeira newsletter que eu escrevi na vida, lá em junho 2021.
Assunto “fresco” aqui na mente. Risos.




a velha história do menos é mais kkk e de fato, com uma historinha do começo ajuda a focar no texto