🔵 191: Longe não é difícil
Uma história do metrô de Praga
Se você prefere ouvir podcasts, vou voltar a gravar as versões em áudio dessa newsletter com eventuais comentários extras nesse link aqui.
Dá uma olhada nesse mapa aqui:
Esse é o mapa do metrô de Praga, na Tchéquia. 🇨🇿
É muito fácil bater o olho nisso e chegar à conclusão de que “a chance é nula de eu conseguir chegar onde eu quero”, principalmente quando você lembra que o nosso alfabeto tem 26 letras e o deles tem 42.
Mas, surpreendentemente, ele é bem simples: ele tem um sistema de cores e setas que mostram o caminho das coisas.
Foi mais fácil andar lá do que em Londres (que parece difícil, mas também é simples). Prova disso é o rosto de feliz na foto acima da Nayra, minha esposa, quando chegamos de volta ao nosso hotel, risos.
Estou falando disso, porque eu e a Nayra realmente consideramos ir de Uber conhecer a cidade e pensamos antes “nossa, a gente vai se perder muito fácil se formos de metrô” (decidimos ir, porque curtimos uma pequena aventura dessas).
Parecia difícil.
Guarda essa informação, porque eu quero trazer outra história:
Um dos rituais que temos aqui na nossa empresa são as AI Sessions. Em resumo, é pra ser uma hora de reunião, quinzenal, onde compartilhamos coisas que construímos com IA e discutimos coisas que poderíamos construir.
Como deveriam fazer os bons fundadores, eu venho falando com meu time há alguns meses já pra cada vez mais aprendermos a aplicar IA muito além dos modelos de chatbot como o Chat GPT.
Nessa semana, eu mostrei uma ferramenta bem legal que construí: é um aplicativo que está conectado ao nosso Gmail e que lê todas as nossas transcrições pra extrair automaticamente todas as tarefas pendentes.
Ele não só faz isso, como também avisa a gente no Slack de quais são as principais tarefas geradas, associa essas tarefas às diferentes prioridades e projetos da empresa e até mostra pra gente quais tarefas/atividades estão sendo repetidas e não resolvidas ao longo das reuniões.
Ficou bem legal, modéstia à parte.
Também construí um editor de vídeo que acesso pelo celular e ele edita tirando todos os espaços em silêncio e legenda automaticamente o vídeo (e também estou construindo algumas coisas que ainda não posso contar, mas em breve trago novidades bem legais).
Quando mostrei pro essas coisas pro time, lembro de ver especificamente a cara de desespero de uma das pessoas. Não era nem assustada, era meio desesperada mesmo.
E aí essa pessoa levantou a mão pra falar, em outras palavras, que não fazia a menor ideia nem de como começar a pensar em fazer algo assim e terminou com “eu sinto que estou muito longe disso”.
Na hora, eu lembrei do metrô de Praga - aquele negócio parecia impossível - e lembrei também o quanto eu estava longe desse nível mais avançado de IA (pra quem não me conhece tão bem, eu sou formado em Marketing e tenho uma pós graduação em Neurociência aplicada à Educação).
Só que longe não é difícil.
Longe é desconhecido, mas não necessariamente difícil.
Eu era completamente perdido em tecnologia e hoje estou construindo agentes e aplicações bem legais.
Me dá um ano pra ver onde vou estar, risos.
Depois dessa reflexão do que é longe, eu comentei com o time que nós estamos entrando numa era onde não fazer o “difícil” está se tornando mais uma questão de preguiça do que de conhecimento (e olha que eu não gosto de sensacionalismo, mas realmente acredito nisso), porque a barreira do que é difícil tá mudando muito rápido.
Tem coisa que é difícil? Uai, é lógico que tem… Mas tem coisa que a gente acha que é difícil simplesmente pelo fato de não estarmos perto delas.
A ausência do caminho à sua frente faz parecer muito mais difícil do que realmente é, até você começar a ter contato e perceber que não é tão difícil assim.
Só estava longe.
Se vocês puderem salvar uma única coisa desse texto, que seja isso:
O medo tem um quilômetro de distância, mas um centímetro de profundidade.
Você precisa colocar o dedo na água pra ver que não é tão fundo assim (ou, se preferir: você precisa ter contato pra ver que não é tão difícil assim).
Assim como no metrô de Praga, eu também tinha medo dessa tela:
Mas, curiosamente, eu só senti esse tipo de medo durante o período da minha vida no qual eu nunca tinha aberto um terminal.
Esse não é um texto sobre IA, mas pra você que se identificou com isso (porque eu sei que tem bastante gente além daquela pessoa do meu time), saiba que dá pra construir muita coisa pelo aplicativo bonitinho do Claude ou Codex pro desktop sem nem precisar abrir o terminal. É um ótimo começo.
Acho que a provocação que quero deixar aqui é que o medo dificilmente resiste ao contato.
Você só imagina se tem coisa no seu quarto à noite se a luz estiver apagada. Acende essa luz, porque nada resiste ao trabalho e à fricção de tentar fazer as coisas.
Muito obrigado por ler até aqui e até semana que vem.
Vamos juntos,
Já que você chegou até o final, toma aqui uma música pra você colocar quando estiver pensando em mudanças de planos...
A playlist é de presente. 😉






Como é bom ter o Digo como referência! Obrigado pelas palavras, pela reflexão e sabedoria. Quem consegue extrair tudo sempre estará dando um passo a frente nos objetivos pessoais.
Muito bom o texto! E eu li ele justamente no dia em que eu comecei a fazer stories no meu perfil profissional - sempre pensava que eu nunca ia conseguir isso, mas rolou! E abriu aquela portinha do: “eh difícil, da trabalho, mas rola assim msm”!..