🔵 188: A maré sobe devagar, mas sobe
IA não é o tsunami que te vendem
Você já sabe que eu sou um cara curioso e, por ler essa newsletter, eu também imagino que você seja uma pessoa curiosa também.
O MIT lançou, há pouco mais de um mês, uma pesquisa que vale parar pra ler (eu falo isso sabendo que quase ninguém vai parar pra ler, mas também pra dizer que eu parei pra ler pra você, risos), o nome dela é Crashing Waves vs. Rising Tides - algo como “ondas fortes vs. a maré subindo”.
Esse estudo rodou 17 mil tarefas reais, avaliadas por trabalhadores reais em condições reais e eles mediram o que a IA realmente entregou (não foi “teste de laboratório”, foi literalmente uma medição da vida real).
Eu quero compartilhar com você minha leitura dos pontos mais importantes dessa pesquisa, porque isso com certeza vai ser útil para profissionais que querem estar à frente da IA e ter um bom lugar no futuro do trabalho que está sendo construído literalmente agora.
Bora aos insights:
A IA tá melhorando mais rápido do que você imagina, mas não do jeito que as manchetes descrevem.
Em 2024, a IA completava com sucesso 50% das tarefas avaliadas na pesquisa. Em 2025, foi para 65% e a projeção para 2029 é entre 80% e 95% das tarefas mais simples.
Só que isso é no que eles chamam de um nível minimamente aceitável e isso precisa ficar bem claro: “minimamente aceitável” não é bom, excelente e muito menos confiável…
É o suficiente pra substituir um trabalho mediano e insuficiente pra substituir trabalho bom.
Em outras palavras, o MIT tá falando pra gente que a IA vai fazer cada vez mais parte do nosso dia a dia, mas ainda tem pista pra literalmente ela fazer o que fazemos.
O nome da pesquisa diz mais que qualquer coisa.
Os autores usaram essa imagem: não são “ondas quebrando” em cima de profissões inteiras. É uma maré que tá subindo devagar em quase todas as profissões.
A onda você vê chegando, dá pra se preparar, se abaixar, esperar passar, mas a maré não avisa. Ela vai subindo devagar, difícil de perceber e aí você só percebe que tá fundo quando o pé já não encosta no fundo.
A principal conclusão que estou tirando disso é que a IA não vai roubar profissões ou sua função inteira de uma vez, mas ela pode ir quebrando o valor percebido de partes importantes da sua função.
De um jeito mais simples: ela não vai roubar empregos, ela vai se infiltrar de pouco em pouco no seu dia a dia, de tarefa a tarefa.
Mas isso não quer dizer que ela vai te substituir. Isso só quer dizer que as funções vão mudar.
Os setores que mais dependem de julgamento (a parte humana) são onde a IA mais erra.
De acordo com a pesquisa, a IA tem 47% de taxa de sucesso na categoria jurídica e 53% na gerencial. Esses são os menores desempenhos da IA no estudo, porque o “minimamente aceitável” nesses campos ainda fica aquém do que o trabalho real exige.
Quanto mais seu trabalho depende de julgamento humano, de contexto e de tomada de decisão sob incerteza, “mais tempo você tem”. Essa é a boa notícia. A má notícia é que esse tempo não deve durar tanto assim e parece que ainda tem muita gente usando ele errado.
O pânico das manchetes sobre as demissões por conta de IA é real, só que é parcialmente maquiado.
Os EUA tiveram 55 mil cortes atribuídos à IA (Challenger Gray & Christmas), o que causou o fato de 52% dos trabalhadores americanos estarem muito preocupados com o próprio emprego (Pew Research). 46% das empresas com IA avançada já reestruturando times (BCG). Blablabla.
Dá pra juntar muito mais dados e criar uma narrativa sensacionalista com tudo isso…
Mas, olha que curioso: existem dados mostrando que 55% das empresas que fizeram as demissões em massa por conta de IA “estão arrependidas”. Tem um caso legal dessa grande startup que tá recontratando, dizendo que a IA prejudicou a qualidade deles. A turma tá chamando isso de “AI-washing”: empresas usando a narrativa de IA pra justificar reestruturações com outras causas.
Isso não deveria eliminar a preocupação, mas só significar que você pode estar com o medo certo pela razão errada (o que é quase tão perigoso quanto não ter medo nenhum).
Como enxergo tudo isso: é prudente estar preocupado, procurando maneiras de se desenvolver e atento ao que está acontecendo.
É por isso que escrevo essa newsletter (e a the news better work) e também é por isso que criamos nosso próximo produto focado em IA. Inclusive, deixo aqui o convite pra aula ao vivo que vou fazer junto com a Ana, uma executiva de Tech & IA que trabalhou 8 anos na Meta (Facebook) e Microsoft, mostrando como integrar IA à rotina de quem trabalha no mundo CLT.
Ainda dá tempo de se inscrever. Será na terça-feira, 19/05, às 19h30 e é só clicar aqui pra reservar sua vaga gratuita.
3 perguntas que estou me fazendo e que recomendo você se fazer.
Qual habilidade sua tá virando commodity? Quais partes do seu trabalhoa IA já entrega a versão mediana disso de graça, em segundos? Você já deveria ter clareza disso.
Qual parte do seu trabalho fica, então, mais valiosa? Porque agora que qualquer um produz a versão mediana, a versão boa tende a ficar mais rara e mais cara. Qual é essa sua versão boa?
Como você está intencionalmente se desenvolvendo nessa área? Se você não estiver, não deixe mais tempo passar. Aqui na minha empresa, nós estamos construindo uma opção pra ajudar pessoas como você, mas tem muita gente boa no mundo. Pra nós, importa mais você entrar num caminho de desenvolvimento, qualquer que seja (e se for com a gente por aqui, melhor ainda).
A maré sobe igual pra todo mundo, mas só algumas pessoas decidem, antes de ficar fundo demais, onde elas vão se proteger.
Muito obrigado por ler até aqui.
Vamos juntos,



